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# Psicologia Preta: Por Onde Começar a Ler (Fanon, Neusa Santos Souza) e um Curso de Introdução
- URL: https://www.faroldoleitor.com.br/psicologia/psicologia-preta-por-onde-comecar-a-ler/
- Published: 2026-10-16T17:03:52.000Z
- Updated: 2026-10-16T17:03:52.000Z
- Description: Por onde começar na psicologia preta: Tornar-se Negro (Neusa Santos Souza, Zahar) e Pele Negra, Máscaras Brancas (Fanon, Ubu), mais um curso introdutório.
- Author: Renato Guimarães
- Tags: Psicologia

Quem quer entrar no campo da psicologia preta, isto é, no estudo de como o racismo atravessa a formação da subjetividade de pessoas negras, encontra dois bons pontos de partida em português: *Tornar-se Negro*, de Neusa Santos Souza, na edição da **Zahar** de 2021, e *Pele Negra, Máscaras Brancas*, de Frantz Fanon, na tradução de Sebastião Nascimento publicada pela **Ubu** em 2020\. O primeiro é um estudo pioneiro feito no Brasil, a partir de histórias de vida de pessoas negras em ascensão social; o segundo é a obra de 1952 em que um psiquiatra lê a experiência colonial com os instrumentos da psicanálise, da filosofia e da antropologia. Para quem prefere um caminho guiado, existe ainda o curso *Introdução à Psicologia Preta*, de Lucas Veiga, descrito mais abaixo.

> **Para começar pelo chão brasileiro.** [**Ver *Tornar-se Negro* na Amazon →**](https://www.amazon.com.br/dp/6559790290?tag=farolpsicologia-20&ref=faroldoleitor.com.br)

## Comparativo Rápido

| Obra                           | Autoria            | Edição indicada                                                                                           | Páginas | Para quem é                                                                             |
| ------------------------------ | ------------------ | --------------------------------------------------------------------------------------------------------- | ------- | --------------------------------------------------------------------------------------- |
| *Tornar-se Negro*              | Neusa Santos Souza | Zahar, 2021 (prefácios de Maria Lúcia da Silva e de Jurandir Freire Costa, com textos inéditos da autora) | 176     | Quem quer partir da experiência brasileira de identidade e ascensão social              |
| *Pele Negra, Máscaras Brancas* | Frantz Fanon       | Ubu, 2020 (tradução de Sebastião Nascimento, prefácio de Grada Kilomba, posfácio de Deivison Faustino)    | 256     | Quem quer conhecer o texto que deu base a boa parte do debate sobre racismo e psiquismo |

## Neusa Santos Souza e o Custo Emocional de Subir na Vida

*Tornar-se Negro* foi publicado originalmente em 1983, e a edição da Zahar o recoloca em circulação com um prefácio novo e com textos inéditos da autora, que era psiquiatra e psicanalista. O livro reúne dez histórias de vida de pessoas negras que contam as estratégias que usaram para ascender socialmente, e o que chama atenção na leitura é que a autora não se limita a registrar a conquista de posição: ela acompanha o preço psíquico dessa trajetória, que passa por sujeição, por negação e por um apagamento progressivo de identidades, culturas e corpos. Quem acompanha pessoas há algum tempo sabe que a pergunta "quem eu preciso parecer para ser aceito?" pesa mais do que parece, e o interesse do livro está em mostrar que, para essas pessoas, a resposta vinha, em boa parte, de fora; é uma leitura possível do que o livro registra, e vale confrontá-la com os relatos.

É por esse caminho que o livro dialoga com a clínica e com a vida comum ao mesmo tempo. Ele não propõe fórmula nem promete que a leitura resolva algo; ele oferece um vocabulário, e vocabulário é o que falta a muita gente para nomear uma experiência que até então só aparecia como incômodo difuso. A leitura funciona bem para quem trabalha com pessoas, para estudantes de psicologia e também para qualquer leitor interessado em entender por que a ascensão social, para uns, vem acompanhada de uma sensação de estar sempre fora do lugar.

## Fanon e a Pele que o Outro Já Interpretou

Frantz Fanon nasceu na Martinica, formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria em Lyon, e publicou *Pele Negra, Máscaras Brancas* em 1952, a partir de seu trabalho de formação. O livro analisa a experiência de ser negro num mundo organizado por olhares brancos e descreve o que ele chama de epidermização da inferioridade, a maneira como uma ideia de inferioridade ligada à cor da pele é internalizada por quem a recebe de fora. A escrita mistura clínica, filosofia e literatura, e por isso a leitura rende mais com calma, sem pressa de fechar o argumento: é um texto que se deixa reler.

A edição da Ubu é uma boa escolha por reunir uma tradução atual e dois textos que situam o livro, o prefácio de Grada Kilomba e o posfácio de Deivison Faustino. Para o leitor que chega sem familiaridade com a psicanálise, vale começar pelo prefácio e pelo posfácio, que funcionam como mapa, e só depois entrar no corpo da obra.

> **Para ler o texto fundador do debate.** [**Ver *Pele Negra, Máscaras Brancas* na Amazon →**](https://www.amazon.com.br/dp/6586497205?tag=farolpsicologia-20&ref=faroldoleitor.com.br)

## Um Curso de Introdução: *Introdução à Psicologia Preta*

Quem prefere ouvir alguém organizar o terreno antes de enfrentar os livros pode olhar o curso *Introdução à Psicologia Preta*, de Lucas Veiga. Segundo a página do curso, Veiga é psicólogo e mestre em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense, e pesquisa questões raciais, anticoloniais e a saúde mental da população negra. O curso tem como referência a Black Psychology, vertente da psicologia criada por psicólogos afro-americanos em meio à luta pelos direitos civis, no fim dos anos 1960 e 1970, e dialoga com autores como Frantz Fanon, Wade Nobles e a própria Neusa Santos Souza. Entre os conceitos que a página lista estão o paradigma ético, estético e político da clínica, a colonização e a descolonização do inconsciente, a subjetividade diaspórica e o aquilombamento.

Alguns dados práticos, todos tirados da página do curso na Hotmart: são três aulas gravadas, há certificado de conclusão e garantia de 7 dias, e o curso aparece com avaliação 5,0 a partir de 44 avaliações de alunos. O Farol não fez o curso, de modo que não há aqui opinião sobre o conteúdo das aulas, apenas a descrição do que a página informa. Vale lembrar também que um curso gravado é um espaço de estudo e de autoconhecimento, e não substitui o acompanhamento de um profissional para quem está lidando com sofrimento. **Este é um link de afiliado:** se você comprar por ele, o Farol recebe uma comissão, sem custo adicional para você.

> **Para quem quer uma introdução guiada** antes ou junto dos livros. [**Ver o curso na Hotmart →**](https://go.hotmart.com/C108057138Y?ref=faroldoleitor.com.br)

## Uma Ordem de Leitura Possível

Uma sequência razoável, para quem está começando, é abrir com *Tornar-se Negro*, porque o texto parte de histórias de vida e traz o debate para um território que o leitor brasileiro reconhece com facilidade, e só depois chegar a Fanon, cuja linguagem é mais densa e se beneficia do repertório já construído. O curso pode entrar antes, como mapa, ou no meio, para reorganizar o que foi lido. Nenhuma dessas ordens é obrigatória, e a literatura brasileira também funciona como porta de entrada: obras como *Quarto de Despejo*, de Carolina Maria de Jesus, e os contos de Conceição Evaristo mostram, na forma de narrativa, parte do que os dois livros discutem em linguagem teórica.

## Para Quem Esta Leitura Faz Sentido

Estes livros fazem sentido para estudantes e profissionais de psicologia, de educação e de saúde, para pessoas negras que querem nomear experiências que viveram e para pessoas brancas que querem entender o que o racismo faz com quem o sofre. Se o assunto toca em algo doloroso e recente, é razoável ler com companhia, ou conversar com um profissional de confiança em paralelo, porque são textos que mexem.

## Perguntas Frequentes

### Qual a melhor edição de *Pele Negra, Máscaras Brancas* em português?

A edição da Ubu (2020), com tradução de Sebastião Nascimento, prefácio de Grada Kilomba e posfácio de Deivison Faustino, é a que recomendamos por reunir tradução recente e textos de apoio ao leitor.

### Por onde começar a estudar psicologia preta?

Uma opção é começar por *Tornar-se Negro*, de Neusa Santos Souza, e seguir para Fanon. Quem prefere uma introdução em aulas pode somar o curso de Lucas Veiga, descrito acima.

### O que é a Black Psychology citada no curso?

Segundo a página do curso, é uma vertente da psicologia criada por psicólogos afro-americanos no fim dos anos 1960 e 1970, durante a luta pelos direitos civis, e serve de referência para a proposta do curso.

### O curso *Introdução à Psicologia Preta* tem garantia?

Segundo a página do curso na Hotmart, há garantia de 7 dias. Confira as condições na própria página antes de comprar.

> **Para começar pelo chão brasileiro.** [**Ver *Tornar-se Negro* na Amazon →**](https://www.amazon.com.br/dp/6559790290?tag=farolpsicologia-20&ref=faroldoleitor.com.br)

## Leia também

- [Quarto de Despejo — O Diário Que a Fome Escreveu Antes de Qualquer Editora](https://www.faroldoleitor.com.br/quarto-de-despejo-carolina-maria-de-jesus-analise/)
- [Olhos d'Água, de Conceição Evaristo — Memória, Mulheres Negras e a Escrevivência](https://www.faroldoleitor.com.br/olhos-d-agua-conceicao-evaristo-analise/)
- [Livros para a Estante do Consultório: Uma Base de Formação por Abordagem](https://www.faroldoleitor.com.br/terapeutas/livros-para-a-estante-do-consultorio-psicologia/): a base de leitura por abordagem.