Amor, Teoricamente, de Ali Hazelwood — É Bom? Do Que Fala, Se Precisa Ler os Outros Antes e Para Quem É
Amor, Teoricamente, de Ali Hazelwood (Arqueiro), vale a pena? Resenha sem spoilers da comédia romântica de físicos rivais e namoro de mentira.
Amor, Teoricamente é uma comédia romântica para quem gosta de rivais que se provocam, de namoro de mentira e de protagonistas que fazem ciência, e pode ser lida sem ter lido nenhum outro livro de Ali Hazelwood. O romance, publicado pela Arqueiro com tradução de Roberta Clapp (368 páginas), conta a história de Elsie Hannaway, física teórica que dá aulas como professora substituta e complementa a renda como namorada de aluguel por meio de um aplicativo. Com nota média de 4,8 e mais de 14 mil avaliações na Amazon, está entre os títulos mais bem avaliados da autora no Brasil.
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Do Que Fala (Sem Spoilers)
Elsie vive correndo entre empregos precários na universidade e aceita, quase sem perceber, um papel que lhe cabe bem: agradar. É a pessoa que diz sim, ajusta o tom e evita conflito, e por isso o trabalho de namorada de mentira, em que se interpreta o que o outro precisa, parece um ofício feito para ela. A confusão começa quando, na entrevista para um cargo dos sonhos no MIT, ela descobre que o irmão de um de seus clientes, conhecido como Jack Smith, é na verdade um físico experimental renomado, que divide com ela a mesma área e tem opinião oposta sobre a física teórica. Entre a disputa acadêmica, os segredos acumulados e o namoro que não deveria ser de verdade, o livro corre como uma comédia de situações, com diálogos afiados e muita tensão romântica.
O Que Funciona e o Que Pode Incomodar
O melhor do livro é o contraste entre uma protagonista que aprende a ocupar espaço e um cenário de competição acadêmica que também pede isso: nas reuniões, nos congressos e na luta por financiamento, saber dizer não faz parte da carreira. Quem acompanha o comportamento humano nota que a rivalidade entre os dois é, no fundo, uma conversa sobre reconhecimento, e que boa parte do charme está em ver Elsie perceber que ser querida e ser respeitada são coisas diferentes. A ideia de tratar o hábito de agradar com humor, sem diagnóstico e sem sermão, dialoga com o que comentamos em A Coragem de Ser Imperfeito. Em compensação, quem não gosta de romance de rivais ou de enredos em que a tensão se resolve por mal-entendidos pode achar o ritmo repetitivo, e há cenas de cunho sexual, como em todos os romances adultos da autora.
Uma Lente: Beatriz e Benedito
Quem conhece o teatro de Shakespeare reconhece a fórmula: em Muito Barulho por Nada, Beatriz e Benedito trocam farpas durante a peça inteira, até que os amigos armam uma encenação para que cada um acredite que o outro está apaixonado. Hazelwood faz uma versão contemporânea do truque, com o namoro de mentira no lugar do boato, e a graça é a mesma de sempre: o fingimento deixa de ser fingimento quando as pessoas começam a se enxergar de verdade. A tradição da comédia ajuda a entender por que o enredo funciona mesmo quando o leitor adivinha o fim.
Precisa Ler os Outros Antes?
Não. Os livros de Ali Hazelwood são independentes, cada um com seu casal, e Amor, Teoricamente pode ser o primeiro. Quem quiser começar pelo título mais famoso da autora deve ir para A Hipótese do Amor, e quem desejar um panorama completo, com a lista de lançamentos no Brasil, encontra tudo em Ali Hazelwood — por onde começar.
Para Quem Esta Leitura Faz Sentido
Serve a quem gosta de romance de inimigos que viram amantes, a leitoras de comédia romântica que querem protagonistas de ciência, a quem viu o fenômeno de A Hipótese do Amor e procura algo na mesma linha e a quem precisa de uma leitura leve entre livros mais densos.
Qual Edição Escolher
A edição regular da Arqueiro (brochura, 368 páginas, tradução de Roberta Clapp) é suficiente para ler. A editora também lançou uma edição especial com marcador exclusivo e uma coleção em capa dura com três livros da autora, indicadas para quem gosta de colecionar.
Perguntas Frequentes
Amor, Teoricamente é parte de uma série?
Não no sentido tradicional. Cada romance da autora tem seu casal, e todos podem ser lidos separadamente.
É um livro adulto?
Sim, é romance adulto, com cenas de cunho sexual. Para jovens leitores, a autora tem Xeque-mate.
Tem humor?
Bastante. É uma comédia romântica, e boa parte do prazer está nos diálogos.
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