De Quanta Terra Precisa um Homem?, de Tolstói — O Conto Sobre a Ambição Que Nunca Basta

De Quanta Terra Precisa um Homem?, de Tolstói: o conto que James Joyce chamou de o maior já escrito, sobre ambição, comparação e o que realmente basta.

Compartilhar
De Quanta Terra Precisa um Homem?, de Tolstói — O Conto Sobre a Ambição Que Nunca Basta

Há contos que se leem em vinte minutos e se carregam por anos. De Quanta Terra Precisa um Homem?, que Liev Tolstói publicou em 1886, é um deles. A história de Pahóm, um camponês russo que acredita que seria feliz se tivesse mais terra, tem a estrutura de uma fábula e a força de um soco, e chegou a ser chamada por James Joyce, numa carta à filha, de o maior conto que a literatura do mundo conhece. O filósofo Ludwig Wittgenstein também era um admirador. Não é pouca coisa para uma narrativa de poucas páginas — mas basta ler para entender: Tolstói conseguiu condensar ali uma pergunta que cada geração precisa fazer de novo.

No Brasil, o conto está disponível em várias edições. A mais procurada, e uma das mais avaliadas da Amazon brasileira, é a da Principis, que reúne o conto com outras histórias do autor, em tradução de Patricia N. Rasmussen, num volume curto e de preço baixo.

Edição da Principis, com outros contos de Tolstói. Ver preço na Amazon →

Do Que Fala o Conto

Pahóm é um camponês que vive com a família uma vida simples, sem fome nem grandes ambições. Um dia, ouvindo uma conversa entre a esposa e a cunhada sobre as vantagens da vida no campo, pensa consigo mesmo que, se tivesse terra suficiente, não temeria nem o diabo. O diabo, que estava escutando, aceita o desafio. A partir daí, Pahóm começa a comprar terras, e cada aquisição, em vez de satisfazê-lo, desperta a vontade de ter mais.

A busca o leva até as terras dos bashkirs, um povo que lhe faz uma proposta irresistível: por um preço fixo, ele pode ficar com toda a terra que conseguir contornar a pé num único dia, desde que volte ao ponto de partida antes do pôr do sol. O resto da história é essa caminhada — e o título encontra a sua resposta da forma mais seca possível no final.

A Fome Que Cresce Com o Que Se Come

O que Tolstói mostra com precisão é o funcionamento do desejo quando ele se volta para a acumulação. Pahóm não é um homem mau nem especialmente ganancioso no começo; ele simplesmente compara a própria vida com a dos outros, imagina que um pouco mais resolveria tudo, e descobre que esse "um pouco mais" se renova a cada conquista. A terra que antes parecia abundante passa a parecer apertada assim que ele fica sabendo que existe terra melhor em outro lugar.

A psicologia descreveu esse mecanismo quase um século depois, com o nome de esteira hedônica: a tendência de nos acostumarmos rapidamente às melhorias da vida e voltarmos ao mesmo nível de satisfação de antes, o que nos leva a querer sempre a próxima. Pahóm é um retrato literário perfeito dessa esteira. Lido hoje, o conto parece descrever a lógica de um mundo em que sempre há um apartamento maior, um salário melhor, um feed com a vida mais interessante de outra pessoa.

O Diabo Que Só Precisa Ouvir

Um detalhe que muitos leitores esquecem é o papel do diabo na história. Ele não força Pahóm a nada; não oferece pactos, não faz ameaças. Apenas ouve a frase do camponês e deixa que a ambição faça o resto, abrindo uma oportunidade atrás da outra. É uma forma muito sutil de representar a tentação: ela não precisa obrigar ninguém, basta encontrar um desejo disposto a crescer.

Tolstói, que nesse período da vida havia se voltado para uma fé cristã muito pessoal e para a crítica da propriedade e da riqueza, escreve o conto como uma parábola. Mas a força dele não depende de compartilhar a fé do autor. A pergunta do título é universal, e a resposta que ele dá — sem nenhum sermão, apenas com a imagem final — continua a desconcertar.

Para Quem Esta Leitura Faz Sentido

De Quanta Terra Precisa um Homem? é uma porta de entrada perfeita para Tolstói, para quem ainda tem receio dos romances longos como Guerra e Paz e Anna Kariênina. É curto, direto e pode ser lido numa sentada, mas rende conversa por muito tempo. Funciona também muito bem para ler com adolescentes e discutir em grupo, e é por isso que aparece com frequência em escolas.

Quem gostar pode seguir para A Morte de Ivan Ilitch, novela do mesmo período que trata, com a mesma lucidez, de uma vida construída sobre aparências.

Dúvidas Comuns dos Leitores

De Quanta Terra Precisa um Homem? é conto ou livro?

É um conto, publicado por Tolstói em 1886. As edições brasileiras costumam reunir o texto com outros contos do autor, como a da Principis.

Qual a mensagem do conto?

A de que a ambição sem limite nunca se satisfaz, e de que aquilo de que um homem realmente precisa é muito menos do que ele imagina. O final do conto responde à pergunta do título de forma literal.

Por onde começar a ler Tolstói?

Pelos contos e novelas curtas, como De Quanta Terra Precisa um Homem? e A Morte de Ivan Ilitch, antes de encarar os grandes romances.

Pronto para começar? A edição da Principis é a nossa recomendação. Ver preço na Amazon →

Leia também