Confissões, de Santo Agostinho — Qual a Melhor Edição? Tradução do Latim, Por Onde Começar e o Que o Livro Diz
Qual a melhor edição de Confissões, de Santo Agostinho: Penguin-Companhia (trad. do latim), Paulus, Autêntica e edições de luxo.
A edição mais indicada de Confissões, de Santo Agostinho, para a maioria dos leitores é a da Penguin-Companhia, com tradução diretamente do latim de Lorenzo Mammì, prefácio do tradutor e 416 páginas. É também a mais bem avaliada na Amazon, com nota média de 4,9 e mais de 3,5 mil avaliações. O livro, escrito por volta do ano 400, é ao mesmo tempo uma autobiografia, uma oração e um tratado sobre a memória, o tempo e o desejo, e costuma assustar quem o abre pela primeira vez por parecer um texto religioso fechado. Na prática, é uma obra de leitura mais viva do que a fama sugere, porque Agostinho escreve em primeira pessoa, confessa os próprios erros e faz perguntas que ainda são nossas.
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Quem Foi Agostinho e Por Que Esse Livro Importa
Aurélio Agostinho nasceu em 354, em Tagaste, no norte da África, estudou retórica em Cartago, viveu anos de inquietação intelectual e afetiva, ensinou em Milão e, depois da conversão ao cristianismo, tornou-se bispo de Hipona, onde morreu em 430. As Confissões são um balanço dessa trajetória, dirigido a Deus, e organizado em treze livros: os nove primeiros contam a vida, da infância à conversão e à morte da mãe, Mônica; o décimo trata da memória; o décimo primeiro, do tempo; os últimos, da leitura do livro do Gênesis. Muitos estudiosos consideram o texto uma das primeiras grandes obras de introspecção da tradição ocidental, e é isso que o torna interessante mesmo para quem não compartilha da fé do autor.
O Que Se Encontra na Leitura
Há cenas que ficaram famosas, como o roubo de peras de um pomar, na adolescência, feito sem necessidade, só pelo prazer da transgressão, e a conversão num jardim de Milão, quando uma voz de criança parece pedir que ele tome e leia. Há também o retrato de Mônica, a mãe que acompanha o filho por anos, e reflexões que antecipam temas da psicologia, como a diferença entre o que se deseja e o que se faz, a ambivalência do querer e o modo como a memória guarda o que somos. O livro XI, sobre o tempo, deixou uma das perguntas mais citadas da filosofia: ninguém precisa explicar o que é o tempo até que lhe peçam que o explique. Quem acompanha a vida interior de outras pessoas reconhece em Agostinho um observador atento, que se examina sem se poupar e sem fazer da culpa um espetáculo.
Uma Lente: o Canto Que Faz Chorar
Quem convive com a música reconhece a cena do livro IX, em que Agostinho conta que, em Milão, chorou ouvindo os hinos e os cantos da igreja, que o bispo Ambrósio introduzira. Ele próprio desconfia dessa comoção, pergunta-se se está amando o canto ou aquilo que o canto diz, e esse tipo de dúvida diante de uma emoção estética é um dos sinais de sua honestidade. A passagem é uma boa pista de leitura: o livro não pede só concordância, convida a perceber o que se sente enquanto se lê.
Por Onde Começar
Quem tem pouco tempo pode começar pelos livros I a IX, que formam a narrativa da vida, e deixar os livros X a XIII, mais filosóficos, para uma segunda leitura. O livro X (memória) e o XI (tempo) são, para muitos, a parte mais fascinante e podem ser lidos separadamente, mas ganham sentido depois do relato. Quem quer acompanhar a vizinhança do tema pode ler a tradição que Agostinho influenciou: A Angústia na Filosofia, em que Kierkegaard dialoga com a herança cristã, e Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis.
Qual Edição Escolher
| Edição | Tradução | Para quem |
|---|---|---|
| Penguin-Companhia (2017), 416 páginas | Do latim, por Lorenzo Mammì, com prefácio do tradutor | Primeira leitura e estudo |
| Paulus (coleção Clássicos de Bolso) | Maria Luiza Jardim Amarante | Quem prefere formato de bolso |
| Autêntica | Do latim, por Márcio Meirelles Gouvêa Júnior | Leitores e estudantes que querem uma segunda opção |
| Petra (box de dois volumes) | Frederico Ozanam Pessoa de Barros | Quem quer uma edição de colecionador |
| Edições de luxo (como esta, da Garnier) | Confira a ficha | Presente; confira o tradutor antes de comprar |
Há edições baratas ou de luxo que reaproveitam traduções antigas ou de origem pouco clara. Em filosofia e teologia a tradução muda o sentido, por isso vale conferir se o texto vem do latim e quem traduziu. A da Penguin-Companhia informa o tradutor e a língua de origem, o que facilita a escolha.
Para Quem Esta Leitura Faz Sentido
Serve a quem se interessa por filosofia antiga e medieval, por história do cristianismo ou por autobiografia, a estudantes de filosofia, teologia, letras e psicologia e a leitores religiosos que querem conhecer o texto fundador. Não é preciso ser cristão para ler, mas é preciso aceitar que o livro é dirigido a Deus e está impregnado de linguagem de oração.
Perguntas Frequentes
Confissões é difícil de ler?
Os primeiros livros, de narrativa, são acessíveis. Os últimos, sobre memória, tempo e o Gênesis, exigem mais atenção.
Preciso ser religioso para ler?
Não. O livro tem valor filosófico e literário, mas é escrito de um ponto de vista cristão.
Qual a melhor tradução?
A de Lorenzo Mammì (Penguin-Companhia) é uma ótima primeira escolha por ser feita do latim e vir com prefácio. Autêntica e Paulus são alternativas.
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