Os Esquecidos de Domingo, de Valérie Perrin — É Bom? Do Que Fala, Se É Triste e Se Vale Ler Depois de Água Fresca para as Flores
Os Esquecidos de Domingo, de Valérie Perrin (Intrínseca): do que fala sem spoilers, se é triste e se vale ler depois de Água Fresca para as Flores.
Os Esquecidos de Domingo é um bom livro para quem gostou de Água Fresca para as Flores e quer mais do mesmo tipo de delicadeza: uma história sobre memória, perda e o que as gerações guardam umas das outras. Valérie Perrin, escritora francesa, publicou o romance na França em 2015 (foi seu livro de estreia), e a edição brasileira saiu pela Intrínseca em 2026, com tradução de Sofia Soter e 288 páginas. Tem nota média de 4,8 e mais de 4 mil avaliações na Amazon. A dúvida mais comum é se é triste, e a resposta é que sim, em parte, mas é um livro de consolo mais do que de desespero, e a tristeza que carrega é a de quem busca entender o passado para poder viver o presente.
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Do Que Fala (Sem Spoilers)
Justine tem 21 anos e mora num vilarejo da Borgonha, na França, com os avós e o primo Jules, desde que os pais dos dois morreram em um acidente de carro. Ela trabalha como auxiliar de enfermagem em uma casa de repouso chamada Hortênsias, onde se aproxima de Hélène Hel, uma moradora de quase cem anos, e passa horas ouvindo memórias. Dessas conversas nasce a decisão de Justine de enfrentar os segredos que a própria família evita há mais de uma década, e de investigar a morte dos pais. O livro vai e volta entre o presente de Justine e a história de Hélène, e o encontro entre as duas, uma jovem que ainda não sabe o que fazer com o luto e uma idosa que viu quase tudo, é o coração da narrativa.
O Que Faz o Livro Funcionar
Perrin escreve com atenção ao detalhe e ao cotidiano: a rotina da casa de repouso, os objetos que guardam uma vida, as conversas pequenas. Quem trabalha com cuidado de pessoas reconhece o que ela capta bem: a velhice não é só perda, é também arquivo, e escutar alguém que viveu muito pode ser uma forma de se encontrar. É um livro sobre os "esquecidos" do título, aqueles que ninguém visita aos domingos, e sobre o gesto simples de dar a eles atenção. Comparado a Água Fresca para as Flores, que comentamos na nossa análise, este é um romance de estreia e mostra: a estrutura é menos redonda, e o ritmo pode parecer mais lento, mas há na leitura o mesmo calor.
Uma Lente: a Cena de Câmara
Quem conhece o teatro sabe que algumas das cenas mais fortes têm apenas duas pessoas e um quarto: duas vozes, uma pergunta, uma pausa. Os encontros entre Justine e Hélène têm essa qualidade de teatro de câmara, em que pouco acontece por fora e muito se move por dentro. Ler esses trechos com calma, como quem assiste a uma cena em que o silêncio importa, é o melhor modo de aproveitá-los.
Cuidados na Leitura
O livro trata da morte dos pais, de segredos de família, de velhice e de solidão, temas que podem pesar para quem vive um luto recente. Quem está atravessando uma perda talvez prefira esperar ou ler aos poucos; para essa situação, temos uma leitura de acolhimento em A Morte É um Dia que Vale a Pena Viver. Se aparecerem pensamentos de acabar com a própria vida, o CVV atende pelo 188, gratuitamente e a qualquer hora (cvv.org.br).
Para Quem Esta Leitura Faz Sentido
Serve a leitores de romances de memória e de família, a quem gostou de Valérie Perrin e a quem trabalha ou convive com idosos. Quem prefere enredo de ação ou suspense provavelmente não vai se prender. Outro livro da autora, Três, é apresentado como continuação temática, e acompanha três amigos ao longo de décadas.
Qual Edição Escolher
A edição da Intrínseca (brochura, 288 páginas, tradução de Sofia Soter) é a única em português do Brasil, e basta para a leitura. A edição portuguesa existe, mas com outra tradução.
Perguntas Frequentes
Preciso ler Água Fresca para as Flores antes?
Não. Os livros são independentes; apenas dividem a mesma sensibilidade.
Os Esquecidos de Domingo é triste?
Tem partes tristes, por tratar de luto e de velhice, mas termina com sensação de reconciliação.
É um livro adulto?
Sim, é um romance para adultos, com temas de morte e de segredos de família.
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