Qual a Melhor Edição de Ética a Nicômaco, de Aristóteles? Traduções Comparadas
Qual a melhor edição de Ética a Nicômaco, de Aristóteles: a tradução de Antonio de Castro Caeiro (Forense), Principis, Martin Claret e edições comentadas.
A melhor edição de Ética a Nicômaco para o leitor brasileiro é a tradução de Antonio de Castro Caeiro, publicada pela Forense (2ª edição, 2017, 288 páginas): feita por um estudioso de Aristóteles e da língua grega, direto do texto grego, é do mesmo tradutor que a Quetzal publica em Portugal e é descrita como primorosa nas resenhas reproduzidas na ficha. Quem busca apenas uma versão econômica encontra outras traduções no mercado, mas convém lembrar que, em filosofia, a tradução decide o sentido: palavras como eudaimonia, arete e phronesis não têm correspondente exato em português, e uma edição que não informa a língua de partida ou o critério do tradutor deixa o leitor sem saber o que perdeu pelo caminho. Para estudo acadêmico, existem ainda as traduções comentadas de Marco Zingano, de trechos específicos da obra.
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Comparativo Rápido das Principais Edições
| Tradutor(a) | Editora | Ano e páginas | Indicação principal |
|---|---|---|---|
| Antonio de Castro Caeiro | Forense | 2017, 288 p. | Leitura e estudo, tradução feita do grego |
| Maria Stephania da Costa Flores | Principis | 2021, 256 p. | Edição de preço acessível; confira a língua de partida |
| Torrieri Guimarães | Martin Claret | 2002 (6ª ed.), 248 p. | Opção econômica e compacta; a ficha não informa a língua de partida |
| Não informado na ficha | Editora UnB | 2001 (4ª ed.), 240 p. | Edição universitária; confira o tradutor na página de créditos |
| Marco Zingano (parcial) | Odysseus | Livro V (2017) e livros I (13) a III (8) (2008) | Estudo avançado, com comentário filológico e filosófico |
Antonio de Castro Caeiro: a Escolha para Ler com Confiança
Antonio de Castro Caeiro é filósofo e helenista português, estudioso de Aristóteles, e sua tradução da Ética a Nicômaco aparece em duas casas: a Quetzal, em Portugal (3ª edição, 2009, 320 páginas), e a Forense, no Brasil. Uma das resenhas reproduzidas na ficha da edição destaca a combinação entre a vocação do tradutor para a filosofia, a elegância e sobriedade da escrita e anos de estudo de Aristóteles e do grego. Para o leitor comum, isso significa um texto claro, com o vocabulário técnico tratado com consistência. Ver a edição Forense na Amazon.
As Demais Edições
A tradução de Maria Stephania da Costa Flores, da Principis (2021, 256 páginas, coleção Clássicos da Literatura Mundial), é uma opção mais barata e atual. Ver na Amazon. A de Torrieri Guimarães, da Martin Claret (coleção A Obra-Prima de Cada Autor), é compacta e econômica. Ver na Amazon. Nas duas, a ficha de venda não esclarece a língua de partida da tradução; se isso importa para o seu uso (citar em trabalho acadêmico, por exemplo), procure a nota do tradutor no próprio livro. A edição da Editora UnB (4ª edição, 2001, 240 páginas) é de circulação universitária, e a ficha não traz o nome do tradutor. Para estudo avançado, Marco Zingano publica pela Odysseus traduções comentadas do Livro V (o tratado da justiça, 2017) e dos livros I (13) a III (8) (o tratado da virtude moral, 2008).
O Que Esperar do Livro
A Ética a Nicômaco tem dez livros e examina a natureza da felicidade, que Aristóteles define como atividade da alma de acordo com a virtude. O texto distingue as virtudes morais, como coragem, generosidade e justiça, das intelectuais, como conhecimento, sabedoria e discernimento, e discute o raciocínio prático, o valor e os objetos do prazer, as diferentes formas de amizade e a relação entre ética e política. Uma ideia central, que aparece na análise das virtudes morais, é a do meio-termo: a coragem fica entre a covardia e a temeridade, a generosidade entre a avareza e o esbanjamento, e o meio-termo, para Aristóteles, não é uma média aritmética, e sim aquilo que a pessoa prudente reconhece como adequado à situação e a si. Daí a importância da phronesis, a sabedoria prática, que não se aprende em fórmulas, e sim com experiência e hábito.
Uma Lente: o Músico e a Dose Certa
Quem toca um instrumento conhece a ideia de meio-termo sem precisar de filosofia: tocar forte demais estraga a frase, fraco demais a apaga, e a dose certa depende da sala, do repertório, do dia e do próprio corpo. Nenhum manual diz quanta pressão aplicar na tecla; aprende-se tocando, errando e ouvindo. É esse tipo de saber que Aristóteles chama de prático, e a comparação ajuda a entender por que ele insiste que a virtude se adquire pelo hábito: ninguém se torna justo lendo sobre justiça, assim como ninguém aprende piano só lendo partituras.
Para Quem Esta Leitura Faz Sentido
O livro serve a estudantes de filosofia, direito, psicologia, administração e saúde, e a quem se interessa por uma pergunta que o texto faz sem pressa: como viver bem. Convém lembrar que Aristóteles escreve para a Atenas do século IV a.C., com pressupostos sobre quem é cidadão que hoje não aceitamos, e que a leitura rende mais quando se separa o argumento da época em que foi escrito. A amizade, tratada nos livros VIII e IX, é uma das partes que mais costuma tocar leitores contemporâneos.
Perguntas Frequentes
A Ética a Nicômaco é difícil de ler?
Menos do que a fama sugere. É um tratado, e não um diálogo, e tem trechos técnicos, mas a linguagem é direta, e uma boa tradução com introdução ajuda bastante.
Qual a diferença entre ética e moral em Aristóteles?
Aristóteles trata do caráter (ethos) e dos hábitos que formam uma vida boa; não distingue ética e moral como fazemos hoje, e sua pergunta central é sobre a felicidade e a virtude, mais do que sobre regras e deveres.
Preciso ler Platão antes?
Não é preciso, mas ajuda. Aristóteles dialoga com Platão ao longo da obra, e conhecer o debate sobre o bem em A República dá contexto.
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