A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, de Ana Suy — O Que o Livro Diz Sobre Amar e Ficar Só, e Para Quem Ele Serve
Resenha de A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, de Ana Suy (Paidós): a psicanálise do amor em linguagem de conversa e para quem serve.
O título de A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão já diz a que veio, e talvez por isso o livro de Ana Suy tenha chegado a tanta gente: quase todo mundo conhece a sensação de ter apostado tudo num encontro e se descoberto, depois, mais sozinho do que antes. A autora é psicanalista e professora, doutora em pesquisa e clínica em psicanálise pela UERJ, e publicou o livro em 2022 pelo selo Paidós, com 160 páginas. A proposta, segundo a própria sinopse da editora, é a de uma conversa: o texto nasceu de diálogos em sala de aula, em sessões de análise, com amigos e em leituras teóricas, e não pretende ser manual nem tratado acadêmico. Nesse sentido, o livro se lê com a facilidade de uma boa prosa, e o que se leva dele depende menos de conceitos do que de reconhecimento.
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A Ideia que Atravessa o Livro: a Solidão Está Dentro do Amor
O fio condutor está resumido na apresentação da editora: o amor contém a solidão em seu interior, e quem não suporta a solidão também não suporta o amor. Dito assim, parece paradoxo, mas ele organiza um modo de olhar para as relações que foge de duas saídas comuns. Uma é imaginar que o encontro certo acabaria com o sentimento de falta; a outra, concluir que, como a falta permanece, amar não vale a pena. Ana Suy propõe uma terceira via, a de que cada pessoa vive a experiência do amor sozinha, junto de alguns outros, e que reconhecer isso torna a relação menos exigente e mais verdadeira. O recorte é psicanalítico, mas escrito em linguagem de bate-papo, feita de situações vividas em aula, em análise e na amizade.
Uma Lente: o Duo ao Piano
Quem toca a quatro mãos conhece uma verdade simples sobre estar junto: dois pianistas dividem o mesmo teclado, mas cada um ouve a música de dentro do próprio corpo, e é justamente o espaço entre eles, feito de atenção e de silêncio, que permite a peça acontecer. Se um tenta ocupar o lugar do outro, o duo se desfaz; se cada um ignora o outro, também. A imagem ajuda a entender a ideia central do livro, a de que uma relação viva é feita de solidões que se encontram, e não de duas pessoas que se completam. Fica como convite a reparar, nos próprios vínculos, onde se tenta preencher o outro e onde se aprende a escutá-lo.
O Que o Livro Oferece e o Que Não Oferece
A gente mira no amor e acerta na solidão é leitura de reflexão, e não um guia para resolver relacionamentos nem uma introdução sistemática à psicanálise. Quem busca definições rigorosas de conceitos de Freud ou de Lacan encontrará mais proveito em obras específicas (vale ver nossa ordem de leitura de Jung e o glossário de Winnicott como pontos de comparação). Há também quem estranhe o tom de conversa, que escolhe sugerir em vez de demonstrar, e quem espere conselhos práticos e se frustre. Por isso, o melhor uso é lento: um trecho, uma pausa, uma lembrança.
Para Quem Esta Leitura Faz Sentido
Serve a quem acaba de sair de uma relação e se pergunta por que a falta continua, a quem está numa relação e sente solidão ao lado de alguém, a quem teme ficar só e a quem se interessa por psicanálise em linguagem acessível. Para quem atravessa um sofrimento intenso, com tristeza prolongada ou sem vontade de seguir, o livro é uma companhia, mas o passo seguinte é conversar com um psicólogo ou um médico. Se surgirem pensamentos de acabar com a própria vida, o CVV atende pelo 188, gratuitamente e a qualquer hora (cvv.org.br).
Qual Edição Escolher
A edição de referência é a da Paidós (selo do grupo Planeta), em brochura, com 160 páginas. Há também uma versão de bolso com chaveiro, lançada pela editora, que cumpre bem a função de presente; o conteúdo é o mesmo da brochura.
Perguntas Frequentes
É preciso entender de psicanálise para ler?
Não. O texto foi escrito como uma conversa e dispensa conhecimento prévio.
É um livro sobre relacionamentos amorosos apenas?
O amor é o eixo, mas a reflexão alcança amizades, família e a relação de cada um consigo.
Posso ler em partes?
Pode, e muitos preferem. Cada trecho funciona como ponto de partida para pensar, sem exigir leitura contínua.
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